DATE: Abril 1, 2008
Marco Oliveira | Retrato | RTP Abril 1, 2008

Marco Oliveira edita primeiro álbum 10 anos depois de ter vencido a Grande Noite do Fado em Juvenis

| Cultura

O vencedor juvenil da Grande Noite de Fado de 1998, Marco Oliveira, edita esta semana o seu primeiro álbum, “Retrato”, onde interpreta, entre outros, poemas de José Saramago, Mário Raínho e Hélder Moutinho.

“Julgo que o primeiro disco de um artista é sempre o mais genuíno, e este reflecte o que penso e como me sinto no fado”, disse Marco Oliveira à agencia Lusa acerca do album, editado pela HM Música.

“`Retrato` – o título escolhido – é também uma palavra que pode também significar um retrato do fado”, acrescentou o fadista, referindo que só com o aparecimento de Camané e Mafalda Arnauth sentiu coragem para dizer aos colegas que era fadista.

“Até aos 11 anos ninguém sabia que eu já cantava fado, e eu comecei logo aos oito, por intuição, aos dez venci a Grande Noite para juvenis e depois surgiram convites para ir cantar em colectividades e outros espaços onde o fado acontece”, disse.

Nestes espaços conheceu Fernando Maurício, uma das suas referências. A outra é Alfredo Marceneiro.

“Com Alfredo Marceneiro estamos sempre a descobrir novas coisas. Como estilista criou melodias de uma forma absolutamente genuína”, afirmou.

Foi pela música que começou a construir este álbum, “especialmente os fados tradicionais, não podendo faltar as melodias de Marceneiro”.

É aliás, numa música de Alfredo Marceneiro, o Fado CUF, que Marco Oliveira, 20 anos, interpreta “Retrato do poeta enquanto jovem”, de José Saramago.

É também em músicas de autoria de Marceneiro que interpreta “Distante da Primavera” e “No fundo do coração”, ambos de Helder Moutinho.

“Gosto muito da poesia do Helder e tive a sorte de ele escrever para mim”, disse o fadista.

“Para este CD procurei fados tradicionais, musicados, alguns poemas inéditos, outros conhecidos, além de temas de minha autoria”, afirmou à Lusa.

Tendo estudado guitarra e viola, é de sua autoria a música de “Noite de saudade” (poema de Florbela Espanca), “Tudo sabes lá (o que é ficar sozinho)” letra que também assina, em parceria com Mário Silvério.

Outra parceria que faz é com Helder Moutinho na letra “Lisboa será assim”, com música de José Marques.

Do repertório fadista revisita “Não tenham medo da fama” (Conde de Sobral/Fado Lopes), numa homenagem ao fadista Manuel Almeida, falecido há 13 anos, “Procuro e não te encontro” (António José/Nóbrega e Sousa), “Vielas de Alfama” (Artur Ribeiro/Max), “Quem vai ao fado” (Jorge Fernando) e “Fado maestro” (Fernando Tordo), uma criação de Carlos do Carmo.

O álbum totaliza 12 temas, destacando-se ainda “Noite despida” de Mário Raínho, vencedor há dois anos do Prémio Amália Rodrigues Melhor Poeta, e música de Ricardo Cruz.

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