Disfarce

 

Eu já não sei o que sinto

Cada vez que falam dela

É um ódio que eu consinto

Que venha esperar por ela

 

Falam de amor e desminto

Quase tudo foi em vão

Mas se volta a solidão

Eu já não sei o que sinto

 

Às vezes é um disfarce

O ódio que a gente sente

É a saudade a lembrar-se

De quem se esquece da gente

 

Há quem queira mascarar-se

Com risos de felicidade

O riso não tem verdade

Às vezes é um disfarce

 

Já chorei e foi por ela

Que tão cedo me esqueceu

E digo: para mim morreu

Cada vez que falam dela

 

 

Quem me vê sabe que minto

Se eu disser que não estou triste

Mas aquilo que persiste

É um ódio que eu consinto

 

Quando o amor se mostra ardente

Não julgues ter mais valor

Às vezes tem mais amor

O ódio que a gente sente

 

Às vezes o criticar-se

Alguém a quem se quis bem

Não é ódio nem desdém

É a saudade a lembrar-se

 

Há sempre alguém que vê nela

Tristeza como a ninguém;

Há-de sentir o desdém

Que venha esperar por ela

 

Tudo é simples e aparente

Mas a maior crueldade

É nós sentirmos saudade

De quem se esquece da gente

 

 

Letra: Carlos Conde/ Marco Oliveira

Música: Filipe Pinto (Fado Meia-Noite)

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