Biografia
Marco Oliveira 1
“Um estar no palco como se tivesse nascido nele. Assim. Um estar na sala de estar. Onde sempre esteve. Um homem-menino, uma voz e uma viola. A serenidade tranquila das canções-fado que envolvem o auditório e convocam memórias, invocam sentidos, provocam emoções. E o Marco a conclamar-nos a todos – e eram muitos, auditório cheio – à harmonia de um canto doce e suave. E o palco a transbordar de música e palavra cantada, cheia. E ele ali, na quase inocência da sua presença. Que enche tanto. Preenche tanto.

Voámos com as tuas gaivotas, zarpámos com o teu navio, caminhámos na Cidade Eterna (Lisboa nossa), fomos cravo de São João, Maria & amor. Também Saudade, onde todos os navios morrem. Renascidos contigo e com os teus músicos, Ontem. OBRIGADA menino d’oiro, como te chamou o Mestre Chaínho que te foi ver e ouvir. E me disse, “não podemos perder este menino”. Acho que falou por todos nós. Assim o sinto. Sentimos.”

 

Maria Adelina Amorim, 16 de Janeiro de 2016


“(…) com um inesperado solo absoluto de Marco Oliveira (cuja vocalização foi deveras impressionante, perante o devoto silêncio da audiência) na modinha Hei de amar-te até morrer (…)”

 

Nuno Pacheco in Público, 17 de Dezembro de 2016

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Biografia

Marco Oliveira nasceu em Lisboa em 1988. É um cantor e compositor com raízes no fado. Desde sempre se ouviu e cantou o fado na sua casa de infância e cedo nasceu a sua paixão pela canção de Lisboa. Enraizado na cultura e na vivência da música tradicional da sua cidade, estudou guitarra clássica no Conservatório Nacional e frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É de todo este cadinho de ensinamentos que desponta a sua pluralidade artística enquanto autor, cantor e músico.

Desde sempre se ouviu e cantou o fado na casa de infância e, com apenas 9 anos, Marco Oliveira acompanhou pela primeira vez os pais a uma casa de Fado, experiência que ateou definitivamente a sua paixão pela canção de Lisboa. Cedo nasceu o desejo de cantar em público, concretizado desde logo, em 1997, num programa da Rádio Renascença, “Lugar aos Novos”, gravado ao vivo no Teatro Maria Matos. No ano seguinte, com 10 anos, ganhou o primeiro prémio de Juvenis na Grande Noite de Fado no Coliseu dos Recreios, e em 2004 repetiu a proeza, conquistando o primeiro prémio na categoria de Seniores na Grande Noite de Fado no Teatro São Luiz.

Entretanto, sentindo necessidade de aprofundar a sua ligação à música, começou a estudar guitarra clássica aos 13 anos de idade, no Instituto Vitorino Matono, em Lisboa. Aos 15 anos entra no Conservatório Nacional de Música.

A par da sua formação académica, não esquece a relevância das casas de Fado na sua aprendizagem, pelo contacto diário com artistas experientes, salientando carinhosamente a disponibilidade de Fernando Maurício para apoiar e ensinar os mais novos. Revela ainda outras referências que não chegou a conhecer como António dos Santos, Alfredo Marceneiro, Martinho d’Assunção ou Max. “Todos eles”, diz Marco, “têm algo para nos contar e interpretam o Fado à sua maneira”.

Enraizado na cultura e na vivência do Fado, o talento de Marco Oliveira sobressai desde logo, e surgem os convites para concertos no estrangeiro, de que recorda com emoção o primeiro, com apenas 15 anos, na Holanda, com a fadista Ana Moura.

Em 2008, edita o seu primeiro álbum, Retrato, com produção musical de Ricardo Cruz e gravado nos Estúdios Pé-de-Vento por Fernando Nunes. O disco conta com poemas como “Retrato do poeta quando jovem” de José Saramago e “Noite de saudade” de Florbela Espanca. Para além do tema original “Tu sabes lá”, interpreta também alguns fados tradicionais de Alfredo Marceneiro.

Ainda durante este ano, recebe o Prémio Francisco Carvalhinho atribuído pela Casa da Imprensa, no Teatro São Luiz.

Em Setembro de 2009, é convidado para actuar num encontro de culturas na Turquia, no Kemal Kurdas Culture Hall em Ankara, no Hattusa Orchestra Concert. No mesmo mês, participa no Cross-Culture Festival em Varsóvia.
Um ano depois, integra o projecto “Com que voz”, um tributo aos grandes poetas portugueses produzido pelo guitarrista Ricardo Parreira, do qual surgem convites para alguns dos mais importantes festivais de cidades europeias como Bruxelas, Ghent (Odegand Festival), Antuérpia, Vilnius e Praga.

É durante o ano de 2012 que começa a reunir novas letras e novas composições para o seu segundo registo discográfico.

Em Janeiro de 2013, inaugura o ciclo Há Fado no Cais com um concerto no Centro Cultural de Belém, com produção do Museu do Fado e EGEAC.

Inaugura também a casa de fados Maria da Mouraria, antiga casa da mítica figura da história do fado Maria Severa, onde passa a ser artista residente.

Em Junho de 2014, recebe o convite do cantautor italiano Vinicio Capossela para interpretar os temas Joana Francesa de Chico Buarque e Estate de Bruno Martino no concerto de apresentação do seu disco Rebetiko Gymnastas no Teatro Tivoli.

Em dezembro de 2015, apresenta-se em concerto pela primeira vez na Rússia, no Art-Kafe Durov em Moscovo, e no Chaplin Hall em São Petersburgo.

2016 é o ano de Amor é água que corre, o segundo álbum de Marco Oliveira.
Gravado nos estúdios Namouche por Joaquim Monte, com a colaboração de Ricardo Parreira na produção musical e, também, na guitarra portuguesa, Amor é água que corre revela-se um disco de autor, em que Marco Oliveira se apresenta também como intéprete e músico, e conta com convidados distintos como o fadista António Rocha em Disfarce, Ciro Bertini no piano, José Elmiro Nunes na guitarra clássica, Otto Pereira no violino, João Penedo no contrabaixo e o grande guitarrista Ricardo Rocha, que assina ainda a melodia de Fado da Madre de Deus no tema O bem do mal.
Inclui ainda arranjos e orquestração de Tiago Derriça com Quarteto Teoria das Cordas na abertura do disco em Prelúdio da Despedida e no epílogo Valsa da Despedida.

“…Pode ser ouvido como um “puzzle” em que, de uma forma absolutamente mágica, as músicas e os poemas originais de Marco Oliveira encontram o seu eco, a sua glosa e o seu encaixe perfeito na obra de alguns dos mais importantes compositores da história da canção de Lisboa.
António Pires in O Fado.pt

Um disco urbano e tão genuíno que nos leva a crer que as tradições não morrem: transformam-se, reinventam-se e são sempre fruto de grandes revoluções e actos de amor. Amor é sonho, é encanto, queixa, mágoa, riso ou pranto, como a água que corre dentro das palavras e das canções de um cantautor da cidade de Lisboa. A sensibilidade poética e musical de Marco Oliveira conduz-nos, neste que é o seu segundo trabalho discográfico, a um encontro com a(s) grande(s) história(s) de amor que cada um de nós quiser contar.

2017 foi um ano intenso com visitas à Letónia numa ida ao Riga Jazz Stage, dois concertos na Polónia e ainda duas actuações no Theatre de l’Alliance Française no Festival de L’Imaginaire, em Paris.

Em Fevereiro de 2018 actuou no ciclo “Songlines Fado Series” em Londres.

Em Março de 2018 apresenta o espectáculo A Alma Encantadora das Ruas, em Lisboa no Teatro São Luiz, com Ricardo Parreira na guitarra portuguesa, Carlos Barretto no contrabaixo, Diogo Duque nos sopros e Ana Sofia Paiva na narração.
 

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